Ter vida, ou viver?

"Ser família em comunhão com Deus e com o próximo".
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Ter vida, ou viver?

Comunidade Tenda
Caríssimos,

Muito já se falou, muito já se escreveu sobre os acontecimentos que nos envolvem, sobretudo a partir da pandemia do Corona vírus que se alastra em todo o mundo.
Falamos de muitas perdas. Ouvimos cifras de tantas mortes. Escutamos projeções de desastre econômico e social.
Perdas dos projetos que ficaram parados nas escrivaninhas dos escritórios e fábricas. Perdas de negócios, dinheiro, aulas e o mais grave, perdas de vidas.
A vida por si somente, é sempre absoluta e preciosa.  Requer uma atenção única e primordial.
Esta é a base para a nossa reflexão neste momento.
Ao longo de toda a nossa vida, eram poucas, as oportunidades em que o tempo livre servia para um maior convívio com a família. Havíamos perdido, portanto a dimensão de estar juntos para uma partilha profunda de vida, para um comprometimento maior de um para com o outro, mesmo em família, para o cuidado atento e atencioso dado aos que mais necessitavam de atenção.
Qual era a causa e os argumentos? A causa era sempre a “falta de tempo”, ou a correria da vida.
Não havia lugar e espaço para viver.  A “falta de tempo” não nos dava a chance de parar para qualquer reflexão sobre o que é o “viver”.
A preocupação com o dar uma vida melhor, produzir vida de mais qualidade, propiciar maior comodidade e segurança para um futuro inexistente, somente suposto e talvez sonhado era o que ocupava o espaço e o lugar do “viver”.
A pandemia nos traz a chance de algumas reflexões e descobertas importantes.
A primeira delas, talvez seja a de que a vida não dura para sempre.
O espectro da morte se fez muito presente ameaçando a vida que quisemos sempre construir. A vida que quisemos assegurar para nós próprios e para os outros. Isso, hoje, nos faz pensar que esta vida na verdade está sempre a um passo muito pequeno da morte, do desaparecimento total, por isso nos assusta, e nos faz viver agora numa ansiedade sem igual acompanhada até do medo. Será que vou perder a vida? Será que este é o fim? É a questão presente.
A pandemia, porém, nos dá a chance única de descobrir o “viver”.
Enquanto a vida que sempre quisermos construir caminha junto com a morte e, sem dúvida, para ela, o “viver”, diferentemente, nos distancia da morte.

Como isso é possível?
A resposta é que o “viver” está relacionado ao “ser” enquanto o contrário está próximo ao “ter”.
O “ser” é divino e se torna eterno, e traz a experiência da gratuidade, do dom recebido, enquanto o “ter” é o adquirido, e muitas vezes até em detrimento do “ser”.
O “viver” nos dá a garantia de continuidade, de eternidade, porque o “viver” realiza a finalidade única da nossa criação que é amar. Quem nos criou, o fez por amor, e na origem deste amor está o seu “Ser”.
Portanto o “viver” realiza o amor e este amor realiza o nosso “ser”.
A pandemia é o tempo da pausa para dar chance a redescoberta de si mesmo e de quem somos, porque nos obriga, todo o tempo, a estar conosco mesmos.
Isto tem provocado em nós grandes surpresas. O conhecimento de nós próprios, de quem realmente somos e para onde estávamos conduzindo a nossa vida e quais valores cultivávamos.
Este é o tempo de descoberta para que saibamos a diferença entre o “TER” e o “SER” em todo o nosso “viver”.
Não será mais a mesma coisa “ter” uma esposa, “ter” um esposo, “ter” um pai, “ter” uma mãe, “ter” um filho ou uma filha, “ter” uma família do que “ser” uma esposa, “ser” um esposo, “ser” um pai, “ser” uma mãe, “ser” um filho ou uma filha, “ser” uma família.

Pe. Fábio



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